O eurodeputado (PS) André Franqueira Rodrigues participou, em Kiev, na reunião do Comité Parlamentar de Associação entre a União Europeia e a Ucrânia, a primeira realizada em território ucraniano desde o início da invasão russa.
A reunião juntou eurodeputados do Parlamento Europeu e deputados da Verkhovna Rada, o parlamento ucraniano, e terminou com a adoção de uma declaração conjunta que reafirma o apoio total da União Europeia à Ucrânia, condena os crimes de guerra e os ataques russos contra infraestruturas civis e energéticas, exige a devolução das crianças ucranianas sequestradas pela Rússia e defende o reforço das sanções, bem como a utilização dos ativos russos congelados para apoiar a Ucrânia.
Para André Franqueira Rodrigues, a deslocação a Kiev permitiu “ver no terreno a dimensão humana, política e histórica da resistência ucraniana”.
“Não há processo de adesão abstrato quando se está em Kiev. Há um povo que continua a fazer reformas, a defender instituições democráticas e a lutar pela sua integridade territorial enquanto vive sob bombardeamentos. A adesão da Ucrânia à União Europeia é, para nós, um processo irreversível”, afirmou o eurodeputado socialista.
Entre sirenes e reformas, a Ucrânia escolhe a Europa
Durante a visita, André Franqueira Rodrigues participou em reuniões com representantes das instituições ucranianas, da sociedade civil, das autoridades anticorrupção e do sistema judicial, tendo sido abordadas as reformas necessárias ao processo de adesão, em particular no domínio do Estado de Direito, da justiça, do combate à corrupção e da independência das instituições.
O eurodeputado reconheceu que existe alguma frustração do lado ucraniano face ao ritmo do processo europeu, numa altura em que a Ucrânia continua a avançar com reformas internas apesar da guerra.
“Quem está há mais de quatro anos sob agressão militar, e ainda assim mantém reformas em curso, espera da União Europeia uma resposta à altura. Isso não significa baixar critérios. Significa compreender que a celeridade também é uma forma de compromisso político”, sublinhou.
A deslocação incluiu ainda uma homenagem na Praça da Independência, hoje transformada num memorial com milhares de bandeiras em memória dos ucranianos mortos na guerra, bem como uma passagem pela estação de metro de Lukianivska, atingida recentemente por ataques russos contra a capital.
André Franqueira Rodrigues destacou que “a Ucrânia não pede apenas solidariedade simbólica”, mas sim “apoio político, militar, financeiro e institucional consistente”.
“A Europa não pode habituar-se à guerra na Ucrânia. A defesa da Ucrânia é também a defesa da segurança europeia, da democracia e do direito internacional. O objetivo continua a ser claro: que a agressão cesse, que a integridade territorial da Ucrânia seja preservada e que o povo ucraniano possa escolher livremente o seu futuro europeu”, concluiu.
Na reunião participaram também outros eurodeputados do Parlamento Europeu, incluindo a eurodeputada socialista Marta Temido.